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“A Ordem do Vaqueiro – Valter Lessa

Por Valter Lessa*

No dia 4 de março de 1952, foi criada a Ordem do Vaqueiro, na Fazenda Provisão, no município de Jequié (BA). Foi assim: A Ordem do Vaqueiro nasceu de uma conversa a propósito da candidatura do diretor dos “Diários Associados” Assis Chateaubriand a senador pela Paraíba. “No terraço da casa da fazenda Provisão, a poucos quilômetros do centro de Jequié, o prefeito Lomanto Júnior contava para uma rede de amigos fatos e aspectos da vida de Assis Chateaubriand a propósito de sua candidatura a senador pela Paraíba. É quando o vaqueiro Firmino que estava assuntando ao lado disse: “Seu doutor, com licença. Voismecê, por que não convida esse homem para ver a Jequié? Esse bicho é dos bons mesmo, e parece até que nasceu aqui. Vosmecê dá uma festa pra ele e nós, os vaqueiros, oferecemos uma roupa das nossas para ele vestir. Eu garanto que ele veste e samba com a gente”.

Foto: Valter Lessa

Os presentes aceitaram a ideia e daí nasceu A Ordem do Vaqueiro de Jequié. Que se instituísse A Ordem e a primeira “comenda” fosse para Assis Chateubriand. O convite feito foi imediatamente aceito. E segunda-feira de Carnaval, quando descia do avião que o trouxe da Europa, Assis Chateubriand disse para um dos seus auxiliares: “Telegrafe imediatamente ao prefeito de Jequié que estarei no próximo sábado a fim de receber A Ordem do Vaqueiro”.

Quem conta o fato é o saudoso jornalista Odorico Tavares, diretor dos Diários Associados da Bahia, através de ampla reportagem na revista O Cruzeiro com o título: “Eita, cabra da peste!” e fotos de Gervásio Baptista, datada de 29 de março de 1952. Presenciei o acontecimento e documentei-o com fotografias. Assis Chateubrian, uma das pessoas mais importantes e ponderosas do Brasil nas décadas de 50 e 60, era dono do maior complexo de comunicação da América Latina e, por excelência, um debochado. Terminou sua fala na criação da Ordem do Vaqueiro em Jequié com estas palavras: “Hoje sou um homem feliz, nasci na Paraíba, a terra do couro, e me encontro vestido de couro, esse couro macio dos veados de Jequié, em meio à minha caravana de velhacos”.

*Valter Lessa é fotógrafo e diretor da Associação Bahiana de Imprensa – ABI


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