Imprensa e História

Os Silva Serva – Por Luís Guilherme

Por Luis Guilherme Pontes Tavares*

O professor doutor Pablo Iglesias Magalhães, professor de História na graduação e na pós da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), superou as expectativas quando, na manhã de 02 de agosto, no auditório da ABI, tratou o tema “Manoel Antonio da Silva Serva (c.1760-1819): a trajetória de um tipógrafo na capitania da Bahia”. Isso porque a ocasião se apresentou para ele rever a bibliografia a respeito e apresentar como personagens da história não apenas Manoel Antonio, mas parentes da família Silva Serva.

Desse modo, o expositor foi além da data da morte do pioneiro da indústria gráfico-editorial privada brasileira e além, também, dos limites e do período que outros autores determinaram quando escreveram sobre a atuação de Manoel Antonio e de seus herdeiros diretos. Assim, o professor Pablo Magalhães apresentou um parente de Silva Serva atuando em Macau (colônia portuguesa na China) e ampliou da década de 1840 para a década de 1860 o fim da atuação deles até aqui conhecido.

O professor revelou que o seu encanto sobre a história dos impressos baianos foi movido mais pelo seu exercício como bibliófilo do que apenas por sua atuação profissional como historiador. A curiosidade em localizar publicações do século XIX com o colofão de tipografias da família Silva Serva o permitiu elevar de pouco mais de 140 para mais de 500 títulos que saíram dos prelos deles entre 1811 e 1861. O pesquisador, face aos fatos novos que agrega ao tema, propõe que esse tempo de atuação seja fragmentado em 13 fases.

Há, na atualidade, vários interlocutores no Brasil e no exterior com quem o professor troca informações e amplia a investigação sobre a contribuição dos Silva Serva à indústria gráfico-editorial brasileira e de outras colônias portuguesas. Sei que conversa com o jornalista Leão Serva, autor da biografia de Manoel Antonio – Um tipógrafo na Colônia (São Paulo: Publifolha, 2014); o jornalista Nelson Varón Cadena, que em breve lançará o primeiro volume da História da Imprensa da Bahia; e a decana Cybelle de Ipanema, coautora (com o marido Marcello de Ipanema) de A tipografia na Bahia, que, em 2010, ganhou sua segunda edição pela Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba). Mas também conversa com outros pesquisadores e bibliófilos brasileiros e estrangeiros.

O professor, com a delicadeza que a questão exige, rebateu a definição de “áulico” que o historiador carioca Nélson Werneck Sodré (1911-1999), autor do clássico História da Imprensa no Brasil (São Paulo: Contexto, 2008), impôs ao Idade de Ouro do Brazil, o jornal com o qual Silva Serva inaugurou a imprensa privada na Bahia e no Brasil em 14 de maio de 1811. Segundo ele, os colaboradores do periódico, sobretudo o padre Ignacio de Macedo (1774-1834) e o intelectual Diogo Soares da Silva Bivar (1785-1865), atuaram, de maneira velada, em um projeto constitucional, que se materializou após 1820.

Enfim, vamos aguardar a reunião dos dados levantados pelo professor Pablo Iglesias Magalhães e a sua publicação para aprendermos mais e mais.

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* Jornalista, produtor editorial e professor universitário. É diretor da ABI.< lulapt2@gmail.com>

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