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Relatório da Abert aponta aumento dos crimes contra a liberdade de expressão

Número de profissionais de imprensa assassinados teve crescimento de mais de 200%

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) publicou um relatório a respeito das violações à liberdade de expressão no Brasil. O documento foi disponibilizado na última quarta-feira (20) e traz dados que apontam para o aumento em mais de 200% (em relação a 2017) no número de assassinatos de profissionais da imprensa e um crescimento da judicialização do jornalismo, 30% das decisões judiciais relacionadas a conteúdos jornalísticos.

Em 2018, o exercício da atividade levou à morte três radialistas, que perderam a vida após a divulgação de críticas e denúncias contra autoridades e políticos locais: Jefferson Pureza Lopes (Rádio Beira Rio FM, de Edealina – GO), Jairo Sousa (Rádio Pérola FM, de Bragança – PA) e Marlon Carvalho (Riachão de Jacuípe – BA). Em 2017 foi registrada apenas uma ocorrência. Assédio sexual contra jornalistas mulheres e ofensas na internet também têm se intensificado, com uma variedade de práticas de ofensas, ameaças e ataques aos profissionais pelos diversos meios digitais.

Os casos de violência não letal somaram 114 episódios envolvendo 165 profissionais e veiculos de comunicação no país no ano passado. As agressões físicas lideraram as ocorrências (34,21%), logo em seguida as ameaças, com 16,66% do total. O relatório da Abert mostra ainda que em todas as categorias analisadas houve aumento em relação ao ano de 2017. As agressões cresceram 11,42%, as ameaças 90%, tentativas de intimidação tiveram um acréscimo de 275% e as ofensas, com o maior incremento, 300%. O vandalismo de instalações e equipamentos também resgistrou escalada nas ocorrências. Os 16 eventos notificados correspondem à elevação de 300% nesse tipo de crime.

Apesar do ambiente adverso e de crescente desrespeito à liberdade de expressão e de imprensa no país, o presidente da Abert, Paulo Tonet Camargo, destaca a importancia do jornalismo e acredita em seu fortalecimento em meio à crise. “Em um mundo de fake news, o remédio é mais jornalismo, mais jornalistas e um melhor exercício da profissão”, asseverou.

No contexto internacional, o Brasil aparece em 10º lugar entre os países mais perigosos para a atividade jornalística. Esse é um dado divulgado pelo Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) e faz consonância com outros dados compilados de entidades internacionais e foram apresentados no lançamento do relatório da Abert. Diante desse quadro, a Organização dos Estados Americanos – OEA é um dos organismos internacionais que manifestaram preocupação em torno da impunidade para esse tipo de crime.

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