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Antirracismo é compromisso editorial

Publicada na edição 157 da revista piauí, a matéria Letra Preta narra o relato da jornalista Yasmin Santos em sua trajetória como mulher negra no jornalismo. Mais que apontar as tensões e conquistas no caminho, a reportagem é um relato em primeira pessoa de quem experienciou a solidão em sua área. No final, a jornalista escreve que espera ainda se reconciliar com sua profissão. 

A comunicação não é um campo neutro. Não é novidade que ao longo dos anos os seus campos de atividades, como publicidade e jornalismo, atuaram – e atuam ainda – a favor de uma lógica racista e excludente. Felizmente, vemos cada dia mais o esforço coletivo para pautar um jornalismo que seja mais inclusivo. Um dos termos que vem se popularizando, o “antirracismo” parte da frase icônica da intelectual e ex-Pantera Negra Angela Davis, na qual ela afirma que “Numa sociedade racista não basta não ser racista. É preciso ser antirracista”. 

Mas como aplicar essa prática ao jornalismo? Primeiro é preciso entender que, como um campo social, o jornalismo se insere numa realidade específica do contexto brasileiro. “A ‘instituição jornalismo’, e aqui me refiro aos meios de comunicação mainstream, foi forjada em uma sociedade racista e, portanto, repercute práticas racistas, e isto não apenas no discurso, que é só uma parte do problema. O jornalismo, enquanto uma das principais arena de discussão e propagação de ideias nas sociedades contemporâneas, foi e é fundamental para se manter um conjunto de práticas racistas”, afirma o jornalista e um dos coordenadores da plataforma educativa Semiótica Antirracista, Cássio Santana. Como campo social, o racismo permeia o jornalismo muito além do seu conteúdo. “Da estrutura institucional ao discurso, o jornalismo vem, desde há muito tempo, reproduzindo práticas racistas em seus discursos e práticas”, completa o pesquisador.  

A matéria “Letra Preta” conversa com o TCC de Yasmin Santos, de mesmo nome, defendido em 2019 na sua formação na UFRJ. Lá, a jornalista explica que há dois movimentos que a mídia conduz: a indiferença e a aproximação às pautas negras – às vezes por conveniência. Embora possamos afirmar que as pautas raciais têm se inserido cada vez mais na cobertura hegemônica, Cássio questiona se essa cobertura implica em mudanças reais nessa área. “Quando falamos de jornalismo, estamos nos referindo, em geral, a empresas, apesar de haver vários “jornalismos” possíveis. Empresas que são compostas por pessoas que mantêm uma variada gama de predileções, desde políticas a ideológicas, e que buscam sobretudo o lucro. Não vejo, atualmente, uma grande vontade dessas empresas em ser um aliado na luta antirracista, embora seja perfeitamente possível. Seriam necessárias mudanças, discursivas e estruturais”, completa.

Divulgada na última quarta (17), a pesquisa O Perfil Racial da Imprensa Brasileira demonstra a desigualdade que existe no jornalismo. O resultado mostra que entre as cinco regiões brasileiras, apenas 20,10% dos jornalistas de redação se autodeclaram pretos ou pardos. Entre os brancos, esse índice sobe para 77,60%. Amarelos somam 2,10% das autodeclarações e indígenas 0,20%. Brancas e masculinas, as redações brasileiras não refletem o perfil da população. 

A coordenadora do Programa de Comunicação do Odara – Instituto da Mulher Negra e jornalista Alane Reis entende que a estrutura excludente vai além da  disparidade entre negros e brancos nas redações. “Eles precisam repensar a linha editorial, repensar o manual de fontes, precisam entender que as pessoas negras têm de ser inseridas nos mais diversos temas, nas mais diversas pautas da sociedade brasileira”, afirma.  

“As instituições do capital, de modo geral, se sentem constrangidas para continuar a se manter hegemônicas, a aderir um discurso de antirracismo, mas que é um discurso superficial”, defende Alane Reis. Para a jornalista, a cobertura de pautas étnico raciais trata de maneira superficial os problemas sociais que ferem a população negra. Um exemplo seria o uso da expressão “racismo estrutural” quando se tenta abordar a questão racial, mas sem abordar o genocídio negro perpetrado no Brasil como uma de suas consequências. 

Negritude em pauta

Como profissional da comunicação, Alane possui muita experiência atuando em mídias negras e pela democratização da comunicação. No Instituto Odara, através de oficinas de formação e de capacitação, procura-se pensar o direito à comunicação pela perspectiva das mulheres negras, sem racismo, sexismo ou LGBTfobia. “É um programa que tem muitos frutos positivos. Eu diria que o mais positivo de todos é a perspectiva de compreender o direito à informação como um direito humano fundamental para que todas as nossas outras lutas por direitos sejam efetivadas”. 

A imprensa negra sempre esteve aliada às lutas do movimento. Historicamente se reconhece o jornal “O Homem de Côr”, de 1833, como o primeiro da imprensa negra, mas mesmo no Brasil escravista já existiam pasquins negros que circulavam denunciando a exploração e reinvindicando maiores direitos para a população preta no Brasil. “A mídia negra é antirracista por essência. Digamos que a mídia negra é essa experiência de jornalismo, de comunicação social que traz a perspectiva cultural, a perspectiva epistemológica e vivencial da população negra”, comenta Alane Reis.

Ela atua também na Revista Afirmativa, fundada em 2014 por estudantes de comunicação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), no município de Cachoeira. Exemplo de produção antirracista, a revista nasce com o objetivo de atuar “pela garantia da representatividade das pessoas negras na mídia, de maneira real, diversa, humanizada, útil e qualificada”, como está afirmado no portal da Afirmativa. 

Editor e repórter da Revista, o jornalista Jonas Pinheiro afirma que o posicionamento é uma das distinções da revista em relação a mídia tradicional. “A diferença da Afirmativa para outros meios tradicionais é que somos uma mídia negra bem posicionada, sabemos nossa missão, a gente sabe por quem a gente está falando. O meio tradicional vai dizer que é imparcial, mesmo com o conglomerado de mídia que tem relações com publicidade, com empresas e com famílias das elites”, completa. 

Junto com outras iniciativas contemporâneas, como o Correio Nagô, o Notícia Preta, o Alma Preta, a Afirmativa marca a mudança provocada também pelas redes sociais e pela pressão contínua de grupos minoritários para que fossem melhor representados. “Mesmo num período em que a atividade da gente estava em sobrevida – porque manter a revista é muito difícil, é custoso, esse é um desafio que a gente vive desde o seu surgimento – mesmo assim, se percebia essa carência do público dos conteúdos que a gente produzia”.

Atualmente, o jornalista entende o papel da mídia alternativa na construção de um outro discurso e de um outros espaço para jornalistas negros trabalharem. Jonas narra que já participou diversas vezes de processos seletivos concorrendo com pessoas brancas e não passou, mesmo com toda a competência para a vaga. “O que me fez inclusive entender que o meu papel dentro da mídia negra da Afirmativa é muito maior do que se eu tentasse entrar no meio tradicional. Hoje, felizmente, as coisas estão mudando. Existia um perfil de apresentador que era um perfil branco. Acho que esse era um gargalo que todas nós, pessoas negras jornalistas, acabamos sofrendo e os que conseguiram furar essa bolha foi a muito custo”, afirma Jonas. 

Mas, e quando a cobertura da pauta racial ocorre em um veículo tradicional? Um dos exemplos pioneiros na Bahia foram os cadernos especiais da Consciência Negra do jornal A Tarde, que circularam entre 2003 e 2015. A doutora em Antropologia e repórter Cleidiana Ramos conta com orgulho sua participação na produção desses cadernos, onde atuou como jornalista, coordenadora e editora. “Esses cadernos acabaram criando uma espécie de pedagogia dentro do jornal. Quando tinha algum tipo de questionamento sobre a questão de [se era ou não] ativismo, eu sempre respondia com a seguinte avaliação: Qual o compromisso editorial de A Tarde?”, relata Cleidiana, afirmando também que a experiência dos cadernos possibilitou o letramento racial de seus colegas de redação. 

Para quem questionava se esse tipo de iniciativa teria repercussão, a resposta veio com o esgotamento das edições nas bancas e nos prêmios: uma vez ganhador e uma vez finalista do prêmio Abdias do Nascimento – pelos cadernos “Os homens que chamam os deuses pra terra” e “Epo pupa”, respectivamente; o prêmio do Banco do Nordeste pelo caderno de 2009, “Produtores de Owó”, e duas indicações ao prêmio Embratel. Com temas que foram da cobertura religiosa, ao esporte, infância negra e moda e empreendedorismo, o trabalho também revela a pluralidade dessa pauta. 

Apesar do avanço e de ter tido acolhimento da redação, Cleidiana reconhece a dificuldade que existe em fazer a cobertura dessas pautas. “Cobertura étnico-racial é você dar hoje dez passos e amanhã recuar onze. É o tempo inteiro um embate que você faz dentro e fora. O de fora, você está falando para um público difuso, é muito mais fácil do que o que você faz dentro. Imagina a oposição que tem dentro do jornal, inclusive de colegas que não entendem aquilo”, relata a jornalista. 

Escutar, estudar e incluir

E para os jornalistas brancos, como ser antirracista? Primeiro, é preciso ter compromisso com a causa defendida. “Tem questões que são de humanidade, você não pode ficar atrás do escudo da objetividade e não se envolver. Você tem que tomar partido de fato. E combater o racismo é uma dessas causas que não tem meio termo”, argumenta Cleidiana.

Ela relata ainda que o trabalho com os cadernos especiais foi o que a motivou a retornar a universidade, onde obteve seus títulos de mestrado e doutorado. E recomenda que todo jornalista busque conhecimento com a mesma sede. “Como é que a gente não tem disciplinas que discutem a história da Bahia. (…) Como o estudante de comunicação vai tentar traduzir determinados produtos culturais se ele não entende a formação do Brasil?”, questiona. 

Há, além disso, a demanda por pluralidade. Pluralidade de pauta, de fontes, de pessoas negras nas redações, em todos os cargos. A pesquisa sobre o perfil racial da imprensa demonstra também que os cargos gerenciais são em sua maioria ocupados por brancos – 61,8% das vagas, contra 39,8% de cargos ocupados por negros. Já os cargos operacionais (como repórter, redator ou pauteiro), são mais ocupados por negros, 60,2%, do que por pessoas brancas, que representam 38,2% desse contingente. 

A luta para mudar esse cenário também passa pelos princípios que tornam o jornalismo uma área importante para a democracia. Como afirma Alane Reis, “o jornalismo antirracista é o que está de maneira mais alinhado a perspectiva do jornalismo”. O repórter e coordenador de Direitos Humanos do Instituto  para Reforma das Relações entre Estado e Empresa – IREE, Yuri Silva, concorda. “A gente aprende no jornalismo que sempre devemos questionar o poder hegemônico, que devemos duvidar das versões. Mas para o jornalismo de direitos humanos isso é essencial. No jornalismo de direitos humanos você noticia a partir do olhar de quem não tem poder”. 

Yuri, que atualmente atua no terceiro setor, pôde ver como também no meio empresarial a mudança de postura em relação à defesa dos direitos das minorias. Mas sua experiência como jornalista lhe mostrou que há dois caminhos para se garantir o compromisso com o antirracismo. O primeiro é a representatividade. “Vivência é uma qualificação profissional cada vez mais valiosa, e a população negra tem demais”. 

O segundo ponto é o entendimento das relações raciais brasileiras. “A comunicação antirracista é a comunicação que entenda que o Brasil é um país que foi estruturado em bases capitalistas escravagistas. Que as relações sociais políticas e econômicas que formam o Brasil enquanto sociedade são bases racistas, e que definiram que a população negra seria relegada a toda ordem de desvantagem social e que a  população branca seria apresentada a toda vantagem e privilégio”, completa.

Não é fácil entender o Brasil em toda a sua complexidade. Mas, segundo Cleidiana Ramos, “A gente tem que aprender a escutar e a ver de longe. O Brasil tem uma tradição muito forte em estudos étnicos raciais e a gente tem que conhecer isso”. Aproveitemos a fonte dos nossos intelectuais negros, que é profícua e inesgotável. 

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Memória Negra: ABI exibirá documentário sobre Abdias Nascimento

Em comemoração ao mês da Consciência Negra, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) receberá na Sala de Exibição Cinematográfica Roberto Pires uma sessão especial do filme Abdias Nascimento Memória Negra, um documentário dirigido pelo cineasta baiano Antônio Olavo. A obra, a ser exibida nesta quinta-feira (23), às 19h, conta a trajetória desse ícone da cultura negra, cuja obra e atuação política ao longo do século XX são essenciais para a compreensão do papel do negro na sociedade brasileira.

Segundo o diretor Antônio Olavo, foi utilizado como eixo central para o filme um longo depoimento que o Abdias Nascimento concedeu à sua equipe em 2005. “A partir desta referência maior, abrimos ‘janelas’ para contar um pouco da história do movimento negro no século XX no Brasil, pois entendemos que a trajetória de Abdias se confunde com a história de luta e organização do negro no Brasil neste período”, afirmou Olavo, exaltando a importância do Abdias poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras.

Quem for à exibição na ABI, vai encontrar “um filme que  nos conduz a uma profunda reflexão sobre a questão racial no Brasil, e perceber que a luta pela igualdade racial e uma sociedade justa vem de longe e continua necessária, ontem como hoje”, garante Antônio Olavo, também autor dos documentários “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “A Cor do Trabalho” (2014) e da série documental “Travessias Negras” (2017). Ele ressalta que o convite para a sessão não está restrito a pessoas negras. “Lutar por uma sociedade em que haja a diversidade é tarefa de todos e todas”.

História – Abdias Nascimento nasceu em uma família negra e pobre da cidade de Franca, interior do Estado de São Paulo. Participou da Frente Negra Brasileira na década de 1930, e fundou o Teatro Experimental do Negro, em 1944. Em 1945, organizou a Convenção Nacional do Negro, e, 1950, o I Congresso Negro Brasileiro. Anos depois, em 1968, Nascimento fundou o Museu de Arte Negra. Exilado pela ditadura militar, percorreu o mundo ministrando aulas e conferências em várias universidades norte-americanas e europeias, sempre denunciando a discriminação racial no Brasil. Ao retornar do exílio, participou da histórica fundação do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR), em 7 de julho de 1978. Depois, em 1983, assumiu pelo PDT uma cadeira na Câmara Federal, tornando-se o primeiro deputado a exercer o mandato defendendo os direitos civis dos afro-brasileiros. Faleceu em 24 de maio de 2011, aos 97 anos, vítima de uma pneumonia que se complicou e agravou problemas cardíacos. (leia mais sobre Abdias Nascimento na página do Museu Afro).

Confira a seguir um bate-papo com o cineasta Antônio Olavo sobre o filme: 

ABI – A que se deve o pouco conhecimento do público sobre figura tão importante para a nossa história e cultura?

Foto: Bahiadoc

Antonio Olavo – No Brasil, as elites implantaram uma ideologia dominante que arrastou para uma zona de invisibilidade personalidades importantes da nossa história, especialmente aquelas ligadas às lutas e aos movimentos sociais do povo negro e do povo indígena. Para muitos desses homens e mulheres, que protagonizaram períodos definidores dos rumos do país, foi negado o justo direito do registro e o reconhecimento. Em uma sociedade desigual e preconceituosa como a brasileira, desde os primórdios de sua formação houve a consolidação de uma memória das elites brancas, como se observa nos grandes esforços dedicados à preservação dos casarões, palacetes e acervos pessoais dessa elite, muitas vezes com investimento de dinheiro público. Outro exemplo dessa política discriminatória são as denominações das ruas, avenidas e logradouros públicos, quase todas com os nomes da elite, perenizando uma memória como se fosse única e absoluta, imposta ao nosso inconsciente. Contudo, nas últimas décadas tem crescido um movimento contra-hegemônico de afirmação de uma outra memória, movimento esse que recupera e difunde trajetórias daqueles e daquelas que lutaram por sociedade justa e uma vida digna. E assim, ao afirmar outra memória, estamos contribuindo para contar outra história do Brasil. Abdias Nascimento faz parte desse nosso panteão de grandes vultos da história. Ele dedicou toda sua longa vida (1914 – 2011) em defesa dos direitos do povo negro, e em seu tempo, foi reconhecido e admirado, como ator, diretor, escritor, deputado federal, senador entre muitas outras atividades que exerceu. Cabe a nós continuar celebrando a sua memória.

Qual o seu principal objetivo ao contar a história de Abdias e como surgiu a ideia de fazer o documentário?

Ao perceber que a trajetória de Abdias estava entrelaçada com parte das lutas do povo negro no Brasil, resolvi construir uma linha do tempo que falasse de sua história de vida, que se inicia em 1914, destacando as lutas contra o racismo já nos anos 1930, a fundação do Teatro Experimental do Negro em 1944, sua inserção no movimento negro brasileiro contemporâneo e sua ativa participação parlamentar. No filme, a história de Abdias funciona como eixo narrativo, abrindo janelas para contar  as lutas do povo negro no século XX no Brasil. A ideia de fazer o documentário surgiu de Carlos Moore, etnólogo e escritor cubano, grande amigo e companheiro de Abdias por mais de 50 anos, que deu a mim e a Raimundo Bujão a difícil e honrosa missão de fazer um documentário sobre esse personagem único. Filmamos vários encontros com Abdias, em Salvador e no Rio de Janeiro, mas enfrentamos muitas dificuldades na captação de recursos para concluir o filme, iniciado em 2005. Mas em 2008, graças ao apoio da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, conseguimos concluir e tivemos a felicidade de fazer o lançamento em março de 2008, em um Teatro Castro Alves lotado, com a presença honrosa de Abdias, celebrando seus 94 anos.

Sua obra é repleta de filmes que resgatam a força e as cores do Brasil. Qual a importância de trazer essa temática, especialmente no mês da consciência negra?

Abdias Nascimento Memória Negra foi nosso terceiro longa-metragem, antes fizemos Paixão e Guerra no Sertão de Canudos (1993) e Quilombos da Bahia (2004), e nosso interesse em produzir esses documentários sempre foi o de contribuir para a valorização da memória social, particularmente a memória negra, na Bahia e no Brasil. E isso é algo que sempre deve estar presente em nosso cotidiano, independente do dia ou do mês. Evidentemente que em novembro há uma concentração de atividades e uma discussão e reflexão maior sobre as questões raciais, mas precisamos que a Consciência Negra esteja presente todos os dias do ano.

 

SERVIÇO

Documentário Abdias Nascimento Memória Negra

Dia 23 de novembro, às 19h

Local: Sala de Exibição Roberto Pires (sede da Associação Bahiana de Imprensa – ABI, Ed. Ranulfo Oliveira, Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, 2º andar)

Mais informações: Portfolium Laboratórios de Imagens (Antônio Olavo – 7199120-0697)

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ABI exibe documentário “O que é ser negro na Bahia?”

Na manhã da última sexta-feira (12), foi exibido na Sala cinematográfica Roberto Pires, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o documentário “O que é ser negro na Bahia?”. Dirigido por Nelson Costa da Mata e Elismar Carvalho Lima, o projeto foi viabilizado pelo Governo do Estado, através de um edital da Secretaria de Promoção e Igualdade Racial (Sepromi).

O documentário, gravado em bairros de Salvador como Cajazeiras 10, Plataforma, Barra, Engenho Velho da Federação, entre outros, apresenta depoimentos de pesquisadores sobre a temática étnico-racial, além de opiniões e relatos de homens e mulheres negras da periferia da cidade sobre a discriminação racial.

Segundo Nelson da Mata, o documentário surgiu de um projeto de pesquisa chamado “Racismo no Carnaval de Salvador”, realizado juntamente com outros dois pesquisadores do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americano (Cepaia), vinculado à Uneb. “Este trabalho resultou em um documentário com 52 minutos, que inclusive foi exibido aqui nessa casa. Nele nós tratamos o racismo do ponto de vista mais teórico. Ficou então a necessidade de enxergar como o cidadão percebe no seu cotidiano o racismo”.

Para Nelson, o filme tem a finalidade de impulsionar elementos disparadores de atitudes. “Nós estamos acostumados em ser negro nessa cidade por aquilo que existe de cultura imaterial, cidade da festa, mas precisamos ver o outro lado, aquilo que não é tão alegórico, aquilo que é encoberto tradicionalmente, e deu pra ver o que pensa o negro nessa cidade. Era essa a contribuição que nos queríamos dar a essa cidade, aos pensadores, aos homens e mulheres que constroem essa cidade todos os dias”, completou, destacando ainda a importância da parceria com a TV Pelourinho, que proporcionou a formação de 22 jovens em técnicas de audiovisual durante a elaboração do documentário.

A representante do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Nildete Costa da Mata ressaltou as contribuições do documentário para a sociedade. “Uma das contribuições é provocar o cidadão, seja ele branco ou negro, mais, ainda mais a estância negra precisa estar se revendo, resgatando sua identidade, se empoderando. Que esse filme não seja assistido apenas em dias específicos como o da Consciência Negra, mas que seja um documento de discussão cotidiana”, disse.

Presente à atividade, o presidente da ABI, Walter Pinheiro, falou da satisfação em promover a exibição do documentário. “Eu parabenizo o professor Nelson e Elismar pelo projeto, e acredito que ele seja de uma valia muito grande para debater o racismo. A Bahia é uma nação negra. Nós já evoluímos em relação há outros tempos. A presença dos negros sempre foi muito marcante e o Brasil sabe disso. Este documentário alerta para o que precisa ser valorizado”, disse o presidente, destacando ainda o papel da ABI, “que surgiu para a defesa da liberdade de imprensa, mas foi evoluindo e hoje ela entra na defesa dos Direitos Humanos, meio ambiente e uma série de valores que são extremamente importantes para o ser humano”.

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Notícias

IGHB sedia homenagem ao abolicionista baiano Luiz Gama

No Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) vai receber uma mesa redonda em homenagem ao abolicionista Luiz Gama, responsável pela alforria de mais de 500 escravos. O baiano, que era mestiço, notabilizou-se no país desde a segunda metade do século XIX por causa da sua atuação como jornalista, poeta e advogado. Nesta quinta-feira (20), ele será lembrado no evento promovido pelo Instituto dos Advogados da Bahia, Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Academia de Letras Jurídicas da Bahia, Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª. Região, Fundação Instituto Feminino da Bahia, Superintendência Regional do Trabalho, jornal Tribuna da Bahia e o próprio IGHB.

Leia também:

A mesa será composta pelo Ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho, Horacio Pires, pelo Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros Técio Lins e Silva e pelo Membro da Academia de Letras da Bahia, escritor e jornalista Joacy Góes.

Busto de Luiz Gama no Largo do Tanque-Salvador_reduzida
Busto de Luiz Gama, no Largo do Tanque (Liberdade), em Salvador – Foto: Reprodução

Em agosto, na passagem dos 132 anos do falecimento de Luiz Gama, o poeta foi homenageado durante aula pública promovida em Salvador pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em parceria com o Coletivo Libertai. O evento reuniu artistas da música, poesia e outras expressões culturais e artísticas, no Largo do Tanque (Liberdade), local que ostenta um busto daquele que é considerado um dos mais ativos abolicionistas brasileiros. Desde 2012, a ABI dirige sua atenção ao soteropolitano nascido no bairro da Mouraria, em reverência à sua contribuição no processo de abolição no Brasil, através de sua poesia satírica que combate o racismo.

SERVIÇO

O que: Mesa Redonda em homenagem a Luiz Gama
Quando: 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, às 18 h
Onde: Auditório do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (Avenida Joana Angélica, nº 43 – Piedade).

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