ABI BAHIANA

ABI fará live no 190º aniversário de Luiz Gama

Abolicionista, ele libertou centenas muito antes do 13 de Maio

Por Luis Guilherme Pontes Tavares*

Este 13 de Maio de 2020, Dia da Abolição da Escravatura, é apropriado para lamentar que o evento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), previsto para 19 de junho vindouro (uma sexta-feira), em homenagem ao poeta, jornalista, advogado e abolicionista Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882), pelos 190 anos de seu nascimento, tenha sido adiado, quiçá para o final do segundo semestre.

A instituição convidara, desde o final de 2019, a professora doutora Ligia Fonseca Ferreira, da Universidade de São Paulo (Unifesp), que se distingue também pelos estudos sobre a vida e a obra de Gama, para falar, em homenagem ao 190º aniversário de nascimento dele, no Auditório Samuel Celestino. 

Filho de negra livre, nominada por ele de Luiza Mahin, e de brasileiro nascido em Portugal, cujo nome é mantido em segredo há quase dois séculos, Luiz Gama foi vendido como escravo pelo próprio pai. Ergueu-se, no entanto, por si, em São Paulo, como brasileiro admirável, inscrito no Livro dos Heróis da Pátria e no coração daqueles que amam o povo do Brasil.

A palestra não ocorrerá no dia previsto, por motivos óbvios, de modo que a ABI promoverá live da palestrante no domingo 21 de junho, dia do nascimento do abolicionista. O evento virtual será anunciado com antecedência no site da instituição – http://www.abi-bahia.org.br/.

Mais adiante, quiçá entre setembro e outubro, a professora Ligia Ferreira virá a Salvador e fará palestra na ABI e lançará seu novo livro, Lições de resistência: artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro (São Paulo: SENAC Editora, 2019). 

Os festejos pelos 190 anos de nascimento do poeta, jornalista, advogado e abolicionista Luiz Gama foram iniciados em junho de 2019, na Bahia, quando a OAB inaugurou o busto do aniversariante em sua sede. No país, nos últimos anos, ele tem recebido tratamento à altura da sua relevância. O Instituto dos Advogados do Brasileiros (IAB), por exemplo, o homenageou emprestando seu nome à principal medalha da instituição, cujo design tem a assinatura de Oscar Niemeyer (1907-2012), além de elevá-lo da condição de provisionado para o degrau de advogado. 

Ademais, o diretor e ator Deo Garcez tem circulado pelo país com a peça de teatro Luiz Gama: uma voz pela liberdade e, em 2019, a apresentou, em Salvador, para convidados. Tomara que retorne! Some-se a isso o recente lançamento do primeiro volume da história-em-quadrinhos (HQ) Província negra (São Paulo: Cabaju Records & Comics, 2019), da dupla Kaled Kerbour (roteiro) e Kris Zullo (arte), e a produção do filme Prisioneiro da Liberdade, do cineasta Jeferson De.

Quero lamentar que o estudo “Gamacopéia: ficções sobre o poeta Luiz Gama” (tese de doutorado. Campinas: UNICAMP, 2004), do professor doutor Silvio Roberto dos Santos Oliveira, da UNEB, ainda não tenha se transformado em livro, Isso acrescentaria maior valor à bibliografia sobre Gama que segue abaixo:

AZEVEDO, Elciene. O direito dos escravos: lutas jurídicas e abolicionismo na província de São Paulo. São Paulo: Boitempo, 2010.

AZEVEDO, Elciene. Orfeu e carapinha: a trajetória de Luiz Gama na imperial cidade de São Paulo. São Paulo: Boitempo, 2005

BENEDITO, Mozar. Luiz Gama – o libertador e escravos e sua mãe libertária, Luiza Mahin. Coleção Viva o Povo. São Paulo: Expressão Popular, s.d.

CÂMARA, Nelson. O advogado dos escravos – Luiz Gama. eBook. Rio de Janeiro: Brasil Multicultural, 2017.

FAUSTINO, Oswaldo et ali. Memorial Luiz Gama. São Paulo: Caixa Cultural, 2013

FERREIRA, Ligia Fonseca. Com a palavra, Luiz Gama. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.

FRAGA, Myriam. A luta de cada um: Luiz Gama. Barueri (SP): Callis, 2005

GAMA, Luiz. Primeiras provas burlescas de Getulino. Biblioteca Básica de Literatura Baiana. Salvador: P55, 2010.

GAMA, Luiz. Primeiras provas burlescas. São Paulo: Typographia Bentley Junior & Comp., 1904

MENNUCCI, Sud. O precursor do abolicionismo no Brasil (Luiz Gama). V. 119 da Brasiliana. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1938.

SANTOS, Jair Cardoso. Entre as leis e as letras. Escrevivências identitárias negras de Luiz Gama. Salvador: Quarteto, 2016.

SANTOS, Luis Carlos dos. Luiz Gama. São Paulo: Selo Negro, 2010

TORERO, José Luis. Abecê da Liberdade: a história de Luiz Gama, o menino que quebrou correntes com palavras. São Paulo: Cia das Letras, 2019.

*Jornalista, produtor editorial e professor universitário. É diretor da ABI.<[email protected]>


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