ABI BAHIANA

Homenagem virtual e reconhecimento real nos 80 anos de Orlando Senna

Produtores e realizadores utilizaram aplicativo de mensagens para celebrar o aniversário do cineasta, em tempos de isolamento social

Por Joseanne Guedes e Rayssa Pio

“Orlando 80”. Esse foi o nome dado ao grupo de Whatsapp criado para demonstrar todo o carinho e o reconhecimento a Orlando Senna. O cineasta, escritor e jornalista, uma das maiores referências do audiovisual baiano e brasileiro, completa 80 anos neste sábado, dia 25 de abril. Em tempos de isolamento social e quarentena impostos pelo novo coronavírus (Covid-19), ele recebe o abraço virtual dos mais de 200 amigos e colegas de profissão que fazem a homenagem online. Os participantes podem expressar-se livremente através de mensagens que serão lidas pelo aniversariante.

O jornalista Hermes Leal e a pesquisadora Ivana Bentes expressam gratidão a Orlando | Foto: Reprodução Whatsapp

Senna estreou no cinema como assistente de Roberto Pires, no filme “Tocaia no asfalto” (1962). Foi parceiro de Glauber Rocha e amigo de Jorge Amado e Gabriel García Márquez. Ao longo de sua rica trajetória, contribuiu para a formação de diversos produtores e realizadores de audiovisual e participou de importantes movimentos culturais no Brasil. Ele já atuou na produção, roteiro e/ou direção de mais de 30 filmes, entre os quais estão obras emblemáticas como Iracema – Uma Transa Amazônica e Gitirana, co-dirigidos por Jorge Bodansky. “O Homem da Montanha”, como registrou o documentarista Hermes Leal, ao biografar o cineasta natural de Lençóis (Chapada Diamantina), é aclamado por seu trabalho.

Orlando acumula passagens pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), coordenando o desenvolvimento da TV Brasil, canal de televisão pública do país. Atualmente, Orlando lidera o Núcleo Criativo de Ondina, programa da Ancine – Agência Nacional do Cinema. Além de produzir obras de referência, ele é notável por lutar pela viabilização do audiovisual brasileiro, criando escolas, oficinas e cursos, e trabalhar por políticas de incentivo ao setor. Lançou em novembro passado, durante o XV Panorama Coisa de Cinema, o longa de ficção “Longe do Paraíso”.

Foto: Reprodução

O cineasta e gestor social Pola Ribeiro, criador do grupo “Orlando 80”, diz que “a ideia veio da necessidade de pensar formatos, de poder abraçar sem estar perto”, explica. Segundo ele, a iniciativa de fazer essa homenagem online surgiu a partir de conversas com Solange Lima, Paulo Alcoforado, Lula Oliveira, que são pessoas muito próximas e tiveram experiências diversas com ele, comungam das mesmas experiências.

O grupo reúne profissionais da imprensa, atores, roteiristas e diretores brasileiros e estrangeiros, como João Miguel, Doc Comparato, Harildo Deda, Cecília Amado, Jorge Alfredo Guimarães, João Brant, Ivana Bentes e Fernando Belens. No decorrer do dia, também deixaram mensagens nomes como a jornalista e documentarista Ceci Alves, a jornalista e poeta Carollini Assis e o cineasta e roteirista José Araripe, ex-diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), e o professor Albino Rubim, ex-secretário de Cultura da Bahia.

Amigo de Orlando Senna há quase 50 anos, Pola reconhece a importância do homenageado em sua vida. “Ele foi orientador do meu mestrado e esteve presente nos lugares por onde eu passei, como Lençóis, Ceará e Cuba”, conta. “Minha história com Orlando é desde sempre. Ele é minha referência de pessoa criativa, de ética, de políticas públicas, de pensamento social, de motivação e luta política. O homem do seu tempo, mas sempre pensando lá na frente, deixando legado nas suas obras, criando um universo rico de felicidade e alegria”, registra o cineasta.

Amigos encurtaram a distância e deixaram depoimentos emocionantes no grupo que será encerrado no fim do dia| Foto: Reprodução

O sociólogo Juca Ferreira esteve à frente do Ministério da Cultura na época em que Orlando foi secretário do Audiovisual. Ele conta que a atuação de Senna foi decisiva na história do cinema no Brasil. “Orlando liderou uma equipe de primeira linha, que formulou e implantou uma política bem sucedida para o audiovisual brasileiro”, avalia. Senna também foi professor e diretor da Escola de Cinema de Cuba. O ex-ministro lembra que quando visitou o local “estava escrito na parede da escola e nos corações dos professores e alunos a importância desse querido cineasta baiano e brasileiro”, afirma. “Por tudo isso, pelo cinema que fez e por ser um construtor desse sonho que é o cinema, merece todas as homenagens. Parabéns para nosso querido Orlando. Que faça muitos filmes e continue sendo um líder”, festeja.

“Descobri que minha vocação era cinema num curso livre que Orlando lecionou na Escola de Sociologia e Política”, revela Walter Lima, cineasta e artista plástico, reforçando a influência de Orlando em sua vida profissional. “Ele é um excelente diretor de teatro também, prestigiado no Rio e São Paulo, Ceará. No cinema, ocupou cargos importantes”, lembra. Para ele, é inestimável a contribuição de Orlando para o teatro, a gestão pública e o cinema. “Ele foi um notável professor. Essa homenagem é à cultura do Brasil”, conclui.

“O Amor Dentro da Câmera”

Orlando e Conceição Senna | Foto: Arquivo pessoal
Cecília Amado fala do carinho por Conceição Senna | Foto: Reprodução/Whatsapp

No grupo “Orlando 80”, grande parte das mensagens de felicitações a Orlando homenageia também a sua esposa e companheira de uma vida, a atriz e diretora Conceição Senna. A história de amor do casal (saiba mais neste texto de Heloisa Iaconis), iniciada em 1961, durante as filmagens de “Festa”, virou filme pelas mãos das diretoras Lara Belov e Jamille Fortunato. Elas fundaram, junto com Cecilia Amado, a produtora Tenda dos Milagres e registraram no documentário “O Amor Dentro da Câmera” a brilhante trajetória e união dos seus mestres.

 

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