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Sete maneiras para os jornalistas usarem as redes sociais de maneira mais efetiva

As redes sociais continuam sendo, para muitos jornalistas, um território instável que, às vezes, é cercado pelo medo de cair na areia movediça. Publicar seus tweets ou retweetar outros define uma parte importante do uso que muitos jornalistas fazem das redes sociais. Um dos efeitos desse medo é que nem todo o potencial que pode oferecer a um jornalista é usado.

Essa é a opinião de Mandy Jenkins, diretora geral do projeto de notícias local The Compass, na McClatchy e presidente da Online News Association (ONA). Ela trabalhou no Huffington Post e na Digital First Media, entre outras mídias. Recentemente, ela participou de uma conferência na Universidade de Oregon, na qual, com base em sua experiência, identificou sete maneiras pelas quais os jornalistas podem usar as redes sociais de forma mais eficaz, de acordo com o European Journalism Observatory.

  1. Como forma de conversar com o público local e entrevistar mais pessoas

Nunca foi tão fácil para os jornalistas “monitorar” as áreas que cobrem e interagir com suas fontes, bem como com seu público. A maioria das comunidades e seus líderes têm uma presença ativa nas redes sociais. No entanto, cerca de 78% dos adultos americanos nunca falaram ou foram entrevistados por um jornalista local.

  1. Para mostrar como funciona o jornalismo

Com confiança na mídia em níveis muito baixos, as redes sociais podem ser usadas para explicar processos jornalísticos. Algumas mídias (Jenkyns cita Enid e Eagle) usam o Facebook para perguntar aos leitores e telespectadores as histórias que gostariam de ler. “Muitas vezes, supomos que o público saiba como o jornalismo funciona. No entanto, coisas simples como twittar ao vivo em uma reunião do conselho, compartilhar “hoje estou relatando sobre isso” ou “Estou conversando com essa pessoa” podem ajudar a mostrar o trabalho envolvido na cobertura de uma história”, diz Jenkins, acrescentando que, embora esses tipos de publicações possam ser banais para os jornalistas, eles não são para o público. Como resultado, eles podem criar conexões e demonstrar transparência, especialmente no nível local.

  1. Como um mecanismo de feedback

Os jornalistas costumam ver as redes sociais como plataformas promocionais. No entanto, eles também são um meio de obter informações antes, durante e depois de uma matéria. Evitar os trolls pode ser difícil, disse Jenkins, mas há pessoas reais “lá fora” com perguntas legítimas que os jornalistas devem responder e abordar para melhorar seu trabalho. “Por que você falou com essa pessoa? Por que você não falou com essa outra pessoa? Ou por que você escreveu essa história em resposta a essa outra história? Essas são questões importantes a serem consideradas e respondidas”, argumentou Jenkins. “Use o social como um canal para receber comentários sobre o seu trabalho”, disse ele.

  1. Tornando-o visualmente atraente

As plataformas sociais têm muitas ferramentas digitais para tornar as publicações o mais visuais possíveis. “Um meio visual força você a ser menos verboso e expressar sua opinião com menos frequência”, disse Jenkins. “Mas tenha cuidado para não exagerar.” Em vez disso, Jenkins recomenda que você distribua publicações sociais e use imagens importantes e que captem a atenção do público.

  1. Use o conteúdo da audiência

O conteúdo gerado pelo usuário e as testemunhas oculares são pilares atuais que dão suporte a muitas redações. “Eles podem ser uma excelente maneira de combater problemas de recursos, relatar histórias recentes e preencher lacunas de conteúdo. Os membros da comunidade podem ter um vídeo ou uma fotografia que os jornalistas possam incorporar em sua cobertura”. No entanto, se você fizer isso, é importante não apenas dar crédito à fonte, mas também informá-lo sobre sua experiência.

  1. Não basta seguir os jornalistas

“É muito fácil ser pego em uma bolha nas mídias sociais”, disse Jenkins. O exemplo mais óbvio disso é que os jornalistas seguem apenas seus pares e os formadores de opinião pública. É importante monitorar a competição e aprender e interagir com outros jornalistas, mas não exagerar. “Por favor, interaja com pessoas reais e pare de tentar impressionar outros repórteres”, aconselha Jenkins. Em vez disso, certifique-se de “conversar com os leitores [que] compartilham coisas de pessoas reais”. 

  1. Lembre-se, nem todos usam as redes sociais

Não assuma que todos são uma rede social ativa. Jenkins lembra que o Twitter é uma grande armadilha para os jornalistas quando se trata de agrupar o sentimento do público. Um estudo realizado em 2019 pelo Pew Research Center mostrou que apenas 22% dos adultos norte-americanos usam o Twitter. Existe um grande público que não o utiliza.

 

*Fonte: EJO via Laboratório de Periodismo/ Tradução: Joseanne Guedes

O Observatório Europeu de Jornalismo (EJO) é uma rede de 15 institutos independentes de pesquisa de mídia sem fins lucrativos em 14 países, com o objetivo unir a pesquisa e a prática do jornalismo na Europa e promover o profissionalismo e a liberdade de imprensa.

O Laboratório de Jornalismo é uma iniciativa da Fundação Luca de Tena que nasceu para tentar atender às necessidades dos jornalistas oriundos da transformação do setor, da mudança disruptiva do negócio da informação e da demanda por novos perfis profissionais em ambientes onde esse treinamento não está, na maioria dos casos, disponível para novos profissionais.

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