ABI BAHIANA

Jornalistas palestram na ABI sobre a história da imprensa no Brasil

Para dar continuidade ao projeto “Temas Diversos”, série idealizada pela diretoria da ABI, com o intuito de discutir assuntos relevantes da relação entre a imprensa e a sociedade, a entidade abrigou na reunião desta quarta-feira (12) uma palestra sobre a história da imprensa no Brasil e o papel da Gazeta do Rio de Janeiro, fundadora e patrona da chamada imprensa áulica no Brasil. A palestra mediada por Luís Guilherme Pontes Tavares (leia aqui o texto “O pioneirismo da Bahia na indústria gráfico-editorial privada brasileira”), diretor da ABI, foi proferida pelos jornalistas Nelson Cadena e Jorge Ramos.

Jorge Ramos e Nelson Cadena – Foto: ABI

Jorge Ramos, diretor de Cultura da ABI, fez um resgate histórico sobre a invenção da imprensa – ainda no início do Século XV, pelo alemão Gutenberg -, o nascimento da imprensa no Brasil e a fundação da Gazeta do Rio de Janeiro. Segundo ele, a censura sempre esteve presente, principalmente nos países católicos. “Em Portugal ela foi maior ainda, nada podia ser impresso sem a autorização dos órgãos censórios. Isso foi inibidor do jornalismo lusitano, e, consequentemente, do aparecimento da imprensa no Brasil”, explicou. (Confira o texto “Pequena contribuição ao estudo da história da imprensa“, de Jorge Ramos)

Nelson Cadena falou da expressividade da Gazeta e sua importância para a história da imprensa no Brasil. “Durante muito tempo o Dia da Imprensa era celebrado em 10 de setembro, em referência à fundação da Gazeta. Mas isso mudou”. De acordo come ele, houve “um lobby muito poderoso entre a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais)”. (Leia o texto “Um baiano foi o primeiro jornalista brasileiro”, de Nelson Cadena

“A ANJ era presidida por Paulo Cabral, então diretor do Correio Braziliense. Ele tinha muito interesse em vincular o nome de seu jornal à publicação original de Hipólito da Costa. Por isso esse lobby foi tão bem sucedido. Pressionaram o presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sancionou em 1999 a lei que transferiu o Dia da Imprensa para 1º de junho, que é a data de fundação do Correio Braziliense“, explicou.

Leia também: O pioneirismo da Bahia na indústria gráfico-editorial privada brasileira

Ele ressaltou “a presença de um jornalista baiano, o primeiro jornalista brasileiro, de fato: Manuel Ferreira Araújo Guimarães”. Segundo ele, o militar da marinha brasileira cursou matemática em Portugal, tendo ensinado astronomia ao regressar ao Brasil. Como jornalista, Manuel começou a atuar na Gazeta e, 1812 e foi o fundador do jornal literário O Patriota, em 1813. “Ele é considerado o primeiro jornalista profissional do Brasil”. Nelson Cadena destacou também o aspecto tecnológico da Gazeta, que, segundo ele, usava maquinário de ponta, semelhante ao da Europa. “Quando surgiu, era um jornal compatível com qualquer jornal do mundo”.

Número 1 da Gazeta do Rio de Janeiro, publicado em 10 de setembro de 1808 – Foto: Biblioteca Nacional

Pioneirismo – Lançada a 10 de setembro de 1808, no Rio de Janeiro (RJ), a Gazeta do Rio de Janeiro foi o órgão oficial do governo português durante a permanência de Dom João VI no Brasil. Tendo circulado às quartas-feiras e aos sábados, foi editada primeiro pelo frei Tibúrcio José da Rocha e, depois, redigida pelo primeiro jornalista profissional do Brasil, Manuel Ferreira de Araújo Guimarães. Precursora do Diário Oficial da União, foi o segundo jornal da história da imprensa brasileira, sendo, no entanto, o primeiro a ser redigido e publicado totalmente no Brasil, pela Impressão Régia, com máquinas trazidas da Inglaterra – o primeiro periódico nacional, o Correio Braziliense, editado por Hipólito José da Costa em postura contrária à Coroa, foi lançado cerca de três meses antes, totalmente editado em Londres. Até a década de 1820, apenas publicações da Impressão Régia e de poucos impressores ligados ao poder tinham licença para circular no Brasil. Todavia, com a Independência, a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro acabou sendo suspensa, sendo sua edição nº 157, de 31 de dezembro de 1822, a derradeira. Manuel Ferreira de Araújo Guimarães não atuou na Gazeta do Rio de Janeiro até o período final do jornal. Com a eclosão do movimento constitucionalista português, em meados de 1821, ele abandonou a publicação para criar O Espelho, suspenso após um ano e meio de atividades. (Saiba mais no site da Biblioteca Nacional).


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